Os erros no monitoramento da economia

Luis Nassif On Line. (Brasil)
Sao Paulo, 16 diciembre 2011
Por Luis Nassif

(Luis Nassif On Line. Brasil).- Monitorar o ritmo de crescimento da economia através dos juros, equivale a dirigir um carro que só começa a reduzir a velocidade meia hora depois que se pisa no freio e só começa a acelerar meia hora depois que se pisa no acelerador.

Por isso mesmo, sempre que se tomam medidas visando reduzir o ritmo de crescimento, costuma-se dar um tempo para avaliar o impacto e a necessidade ou não de medidas suplementares.

No ano passado, o Banco Central iniciou uma longa estratégia visando reduzir os juros. O primeiro passo seria adotar um conjunto de medidas alternativas à alta dos juros. Foram chamadas de “medidas prudenciais”.

A elevação dos juros visa encarecer o crédito e reduzir o consumo. Quando se tem as taxas básicas de juros no patamar de dois dígitos, elevações adicionais surtem muito menos efeito do que atuar diretamente sobre o crédito. Foi o que o BC fez, com um conjunto de medidas que afetavam muito mais o crédito do que o mero aumento da Selic.

A reação do mercado foi uma atoarda, espalhando o pânico sobre os rumos da inflação.

Ao mesmo tempo, movimentos especulativos nos mercados internacionais de commodities pressionaram os preços dos alimentos internamente. Nada que pudesse ser combatido pelos juros, já que não eram resultado da demanda interna.

Mas o BC não resistiu à pressão do mercado e, antes de avaliar os efeitos das medidas prudenciais, puxou a taxa de juros no primeiro semestre e foi eliminando, gradativamente, os estímulos ao consumo adotados ao longo da crise de 2009/2009.

Quando chegou perto de setembro, havia sinais no horizonte de que a atividade econômica poderia cair. Em geral, leva algum tempo para se refletir nos indicadores econômicos. Pouquíssimos desses indicadores captam o que está ocorrendo em tempo real.

É um processo gradativo, capturado pelos chamados “indicadores de antecedentes” – que analisam aqueles setores que “saem na frente” no crescimento ou na queda do crescimento.

Quem está acostumado com o noticiário econômico vai percebendo, meio na intuição, o crescimento gradativo dos dados ruins e a redução dos dados otimistas.

Em fins de agosto, o BC deu seu grito de libertação, ao reduzir em 0,5 (!) ponto a taxa Selic. Sustentava que a economia estava cedendo e que a crise internacional traria impacto sobre os preços.

Seria interessante conferir a quantidade de consultorias, analistas econômicos e comentaristas que

À medida que os dias foram passando, as previsões do BC foram se cumprindo. A economia internacional se agravou de forma inédita e tornaram-se mais nítidos os sinais de desaquecimento interno.

Semanas depois de ter afirmado que o presidente do BC Alexandre Tombini era “o mais desmoralizado da história”, a revista Veja e outros veículos voltaram atrás. O mercado se curvou ao acerto do BC.

Mesmo assim, o banco continuou reduzindo timidamente a taxa Selic.

Agora, está claro que o desaquecimento da economia foi muito mais forte do que se supunha. E nada do que ocorreu pode ser atribuído à crise internacional.

Foi erro nosso mesmo, do BC.

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