Marco Aurélio Garcia vira notícia no cubano Granma
Folha de Sao Paulo (Brasil)
Sao Paulo, 10 marzo 2011
Por Josías de Souza
(Folha de Sao Paulo. Brasil).-
Em visita oficial a Cuba desde segunda (7), o grão-petê Marco Aurélio Garcia virou “notícia” no Granma, diário estatal cubano.
O texto não esclarece o que faz o assessor internacional da Presidência brasileira em Havana. Limita-se a reproduzir uma nota oficial.
A peça anota que Marco Aurélio foi recebido, nesta quarta (9), pelo ditador cubano Raúl Castro. Conversaram sobre o quê?
“Durante o encontro abordou-se o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil…”, além de “outros temas da atualidade internacional”.
“Durante o encontro abordou-se o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil…”, além de “outros temas da atualidade internacional”.
Afora o irmão de Fidel Castro, participaram da conversa com Marco Aurélio uma tróica de ministros cubanos.
Lá estavam o chanceler Bruno Rodríguez e os “companheiros” Rodrigo Malmierca (Comércio e Investimento Estrangeiro) e Abel Prieto (Cultura).
O Granma não diz, mas “o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil” inclui um empréstimo do bom e velho BNDES a Havana. Coisa de US$ 300 milhões.
Prometida sob Lula, a verba vem sendo borrifada no borderô das obras do Porto de Mariel, a 50 quilômetros da capital cubana.
O próprio Lula visitou o canteiro da obra em fevereiro do ano passado. Chegou no dia da morte do dissidente cubano Orlando Zapata.
Preso político, Zapata feneceu após 82 dias de greve fome. Ouvido na época, Lula lamentou que prisioneiros cubanos “se deixem morrer” de fome.
Ao lado de Lula, Raúl também falou aos repórteres. Disse que, em “meio século”, ninguém foi assassinado pela ditadura de Cuba
“Aqui não temos uma máxima liberdade de expressão, é certo”, reconheceu o companheiro-ditador antes de rogar aos entrevistadores:
“Deixem-nos tranquilos, deixem-nos quietos, deixem-nos desenvolver normalmente nossas atividades [...]. Essa é a realidade, o resto é história”.
Primeira autoridade brasileira a visitar Cuba desde a posse de Dilma, Marco Aurélio não teve a desventura de chegar nas pegadas da morte.
Melhor assim. A platéia foi poupada de novas declarações constrangedoras. Resta agora aguardar pelo retorno do assessor.
Ao anunciar o corte orçamentário de R$ 50 bilhões, o governo prometera restringir ao mínimo necessário as viagens, sobretudo as internacionais.
Assim, espera-se que, de volta, Marco Aurélio explique ao contribuinte que lhe pagou bilhetes aéreos, estadia e alimentação o que diabos foi.



























