Olho no olho, mas ouvidos surdos

Folha de Sao Paulo (Brasil)
Sao paulo, 4 mayo 2010
Por Clovis Rossi

“..Tudo somado, a conversa Lula/Ahmedinejad será, em vez de olho no olho, um diálogo de surdos, em que um diz o que sempre disse, o outro responde com o que também sempre disse, e fica-se exatamente no ponto em que se estava antes de o presidente brasileiro viajar a Teerã.” (Folha de Sao Paulo. Brasil)

EE.UU. espera que los esfuerzos mediadores de Brasil y Turquía ante Irán tengan éxito

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Infolatam

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El Gobierno de EE.UU. expresó su esperanza de que los esfuerzos mediadores de Brasil y Turquía en el conflicto nuclear que Irán mantiene con la comunidad internacional arrojen resultados tangibles, aunque se mantiene escéptico. El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, viajará los próximos 15 y 16 de mayo a Teherán para mediar en el conflicto. Crowley indicó que EE.UU. deseará escuchar de Brasil las conclusiones y los resultados que arroje este viaje.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmedinejad complicou um bocado a visita que seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fará a Teerã dentro de duas semanas.

Por partes:

1 – O que Lula vai fazer em Teerã, além de negócios, hoje parte indissociável da diplomacia presidencial? Vai, segundo o próprio Lula disse recentemente, olhar nos olhos de Ahmedinejad e perguntar se o programa nuclear iraniano é ou não para fins nucleares.

Se essa pergunta tivesse algum sentido antes, agora não tem mais.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fez esta segunda-feira, na conferência sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o que Lula pretendia (ou ainda pretende) fazer em Teerã: disse que "o Irã tem a responsabilidade de esclarecer as dúvidas e as preocupações sobre seu programa nuclear".

Ahmedinejad esclareceu? Nada. Voltou à catilinária contra os Estados Unidos, o cântico favorito dos aiatolás que dirigem o Irã desde a revolução islâmica de 1979.

2 – Além disso, o presidente iraniano desancou tanto as Nações Unidas como a Agência Internacional de Energia Atômica, responsável pela vigilância dos programas nucleares.

Disse que são ambas "exploradas" pelos Estados Unidos, o que deixa mal o Brasil e todos os demais 189 países-membros da ONU que aceitam essa "exploração" (o Brasil ainda se esforça para ser membro permanente do Conselho de Segurança, o coração do sistema "explorado").

3 – Se nem a ONU nem a AIEA servem, quem é capaz de conduzir negociações com o Irã? O governo brasileiro sempre defendeu o multilateralismo, de que a ONU é o principal palco, tanto para negociações como para eventualmente a adoção de sanções. O chanceler Celso Amorim me disse, em janeiro, que o Brasil, embora contrário às sanções, as aplicaria, se aprovadas no âmbito adequado que é o CS da ONU.

Tudo somado, a conversa Lula/Ahmedinejad será, em vez de olho no olho, um diálogo de surdos, em que um diz o que sempre disse, o outro responde com o que também sempre disse, e fica-se exatamente no ponto em que se estava antes de o presidente brasileiro viajar a Teerã.

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Olho no olho, mas ouvidos surdos

Folha de Sao Paulo (Brasil)
Sao paulo, 4 mayo 2010
Por Clovis Rossi

“..Tudo somado, a conversa Lula/Ahmedinejad será, em vez de olho no olho, um diálogo de surdos, em que um diz o que sempre disse, o outro responde com o que também sempre disse, e fica-se exatamente no ponto em que se estava antes de o presidente brasileiro viajar a Teerã.” (Folha de Sao Paulo. Brasil)

O presidente iraniano Mahmoud Ahmedinejad complicou um bocado a visita que seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fará a Teerã dentro de duas semanas.

Por partes:

1 – O que Lula vai fazer em Teerã, além de negócios, hoje parte indissociável da diplomacia presidencial? Vai, segundo o próprio Lula disse recentemente, olhar nos olhos de Ahmedinejad e perguntar se o programa nuclear iraniano é ou não para fins nucleares.

Se essa pergunta tivesse algum sentido antes, agora não tem mais.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fez esta segunda-feira, na conferência sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o que Lula pretendia (ou ainda pretende) fazer em Teerã: disse que "o Irã tem a responsabilidade de esclarecer as dúvidas e as preocupações sobre seu programa nuclear".

Ahmedinejad esclareceu? Nada. Voltou à catilinária contra os Estados Unidos, o cântico favorito dos aiatolás que dirigem o Irã desde a revolução islâmica de 1979.

2 – Além disso, o presidente iraniano desancou tanto as Nações Unidas como a Agência Internacional de Energia Atômica, responsável pela vigilância dos programas nucleares.

Disse que são ambas "exploradas" pelos Estados Unidos, o que deixa mal o Brasil e todos os demais 189 países-membros da ONU que aceitam essa "exploração" (o Brasil ainda se esforça para ser membro permanente do Conselho de Segurança, o coração do sistema "explorado").

3 – Se nem a ONU nem a AIEA servem, quem é capaz de conduzir negociações com o Irã? O governo brasileiro sempre defendeu o multilateralismo, de que a ONU é o principal palco, tanto para negociações como para eventualmente a adoção de sanções. O chanceler Celso Amorim me disse, em janeiro, que o Brasil, embora contrário às sanções, as aplicaria, se aprovadas no âmbito adequado que é o CS da ONU.

Tudo somado, a conversa Lula/Ahmedinejad será, em vez de olho no olho, um diálogo de surdos, em que um diz o que sempre disse, o outro responde com o que também sempre disse, e fica-se exatamente no ponto em que se estava antes de o presidente brasileiro viajar a Teerã.

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